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:: Sexta-feira, Junho 25, 2004 ::
a velha música toca no rádio... momentos... sensações... alegrias e tristezas... retornam à sua mente... situações que já aconteceram... que fazem... parte da vida... difícil tentar separá-las... difícil tentar distinguí-las... talvez elas não devessem ser comparadas... e sim... sentidas...uma a uma... sentidas como um momento único... inigualável... e eterno... talvez não tenha sido a música que tenha feito esse sentimento ter surgido...num primeiro momento até poderia ser... mas o tempo passa e sua música termina... o pensamento não... ele continua...
sentado na varanda da cabana... com o mar à sua frente... e a brisa do verão... brisa essa que leva embora os meus pensamentos... e trás a pureza do entardecer... é quando ela surge... como se ele já a esperasse... não é preciso chamá-la... o mar percebe sua chegada... se ilumina... e sorri... contemplando sua beleza... junto com as estrelas daquele lugar... ele vê no céu... coisas que não pode se pensar... e... só ela... conhece seus segredos... nos trás a alegria de viver... de cantar... a imensidão se completa... imensidão azul... criada pelos raios da lua...
:: 4:19 PM ::
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não sou fato... sou ato...
no palco do circo aparece o retrato...
te olho de frente mas vejo de lado...
olhar de criança no sorriso maroto...
lembrança que surge de longe mas que existe na alma...
porquê olhar se não apareces?... porque procurar pra não encontrar?...
ilusão de um sonho na subjetividade da imaginação...
através do tempo que nos mantém unidos no espaço remoto...
a realidade através da razão surge como uma onda...
que leva pensamentos e devaneios...
luxúria e desejo... vontade e estado...
:: 3:44 PM ::
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:: Quinta-feira, Junho 24, 2004 ::
Ciência dá saberes à cabeça e poderes para o corpo. Literatura e poesia dão pão para corpo e alegria para a alma.
Prosear é um jeito de falar. Fala sem objetivo definido, como o vôo dos urubus - indo ao sabor do vento. Palavras fluindo. Um jeito taoísta de ser. Para prosa não existe 'ordem do dia', não há conclusões, não há decisões. A prosa não quer chegar a nenhum lugar. A prosa encontra sua felicidade em prosear. Como andar de barco a vela em que o bom não é chegar mas o 'estar indo'. 'A coisa não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia', Guimarães Rosa. Prosear é brincar com as palavras.
Saber prosear, jogar conversa fora, é o segredo das relações amorosas. Nietzsche dizia que quando se vai casar a única pergunta importante a se fazer é 'terei prazer em conversar com essa pessoa quando eu for velho?' Nessa sala estaremos proseando. Falar sobre o que der na telha. Pensamentos avulsos. Dicas. Informações sobre as coisas novas na minha casa. Apareça sempre para prosear!
:: 3:41 AM ::
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A mais bela oração pela natureza
Ó Deus, nós te damos graças por este universo, nosso lar; pela sua vastidão e riqueza, pela exuberância da vida que o enche e da qual somos parte. Nós te louvamos pela abóbada celeste e pelos ventos, grávidos de bênçãos, pelas nuvens que navegam e as constelações, lá no alto. Nós te louvamos pelos oceanos, pelas correntes frescas, pelas montanhas que não se acabam, pelas árvores, pelo capim sob os nossos pés. Nós te louvamos pelos nossos sentidos: poder ver o esplendor da manhã, ouvir as canções dos namorados, sentir o hálito bom das flores da primavera. Dá-nos, rogamos-te, um coração aberto a toda esta alegria e a toda esta beleza, e livra as nossas almas da cegueira que vem da preocupação com as coisas da vida e das sombras das paixões, a ponto de passar sem ver e sem ouvir até mesmo quando a sarça, ao lado do caminho, se incendeia com a glória de Deus. Alarga em nós o senso de comunhão com todas as coisas vivas, nossas irmãs, a quem deste esta terra por lar, juntamente conosco. Lembramo-nos, com vergonha, de que no passado aproveitamos do nosso maior domínio e dele fizemos uso com crueldade sem limites, tanto assim que a voz da terra, que deveria ter subido a ti numa canção, tornou-se um gemido de dor. Que aprendamos que as coisas vivas não vivem só para nós; que elas vivem para si mesmas e para ti, que elas amam a doçura da vida tanto quanto nós, e te servem, no seu lugar, melhor que nós no nosso. Quando chegar o nosso fim, e não mais pudermos fazer uso deste mundo, e tivermos de dar nosso lugar a outros, que não deixemos coisa alguma destruída pela nossa ambição ou deformada ela nossa ignorância. Mas que passemos adiante nossa herança comum mais bela e mais doce, sem que lhe tenha sido tirado nada da sua fertilidade e alegria, e assim nossos corpos possam retornar em paz para o ventre da grande mãe que os nutriu e os nossos espíritos possam gozar da vida perfeita em ti.
Rubem Alves
:: 3:39 AM ::
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:: Quarta-feira, Junho 23, 2004 ::
Leonel Brizola - (1922 - 2004)
"Deixem comigo, que eu sei o que faço."
A esperança poucas vezes esteve encarnada tão fortemente numa só pessoa.
:: 4:19 PM ::
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"Os homens da beira do cais só têm uma estrada na vida: a estrada do mar. Por ela entram, seu destino é esse. O mar é o dono de todos eles. Do mar vem toda a alegria e toda a tristeza porque o mar é mistério que nem os marinheiros mais velhos entendem...
Quem já decifrou o mistério do mar? Do mar vem a música, vem o amor e vem a morte. E não é sobre o mar que a lua é mais bela? O mar é instável. Como ele é a vida dos homens dos saveiros. Qual deles já teve um fim de vida igual aos dos homens da terra que acarinham netos e reúnem as famílias nos almoços e jantares? Cada qual tem alguma coisa no fundo do mar: um filho, irmão, um braço, um saveiro que virou, uma vela que o vento da tempestade despedaçou.
Mas também qual deles não sabe cantar essas canções de amor na noite do cais? Qual deles não sabe amar com violência e doçura? Porque toda vez que cantam e que amam, bem pode ser a última. Quando se despedem das mulheres não dão rápidos beijos, como os homens da terra que vão para seus negócios. Dão adeus longos, mãos que acenam, como que ainda chamando..."
"As estradas da cidade já estavam há muito conquistadas. A do mar era conquistada diariamente, era ir a uma aventura toda vez que partia. E na terra não há Iemanjá, não há festas de Dona Janína, não há música tão triste. Nunca a música da terra, a vida da terra tentou o coração de Guma..."
"O homem que vive no mar deve ser livre".
Textos de Jorge Amado
:: 2:52 AM ::
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:: Terça-feira, Junho 22, 2004 ::
Seguindo o fluxo de energias, escutaremos aquela "segunda voz" que brota do silêncio. Não tentaremos impor nossa visão de mundo, nem nossas opiniões, nem nossa cultura ou valores. Aceitaremos tudo pelo seu valor aparente, sem julgamentos; vamos nos arriscar, buscar o "novo", o incomum, os caminhos não trilhados. Este sabor de "novidade", de leveza e frescor nos indicará os caminhos a seguir, quando poderemos experienciar a sensação de pertencer à amplidão e de estarmos unidos aos requisitos do "interno". Saberemos que a libertação não está na sujeição nem na rejeição, mas sim, na aceitação e na aquiescência. Lidaremos com o mundo como ele é, não como achamos que deveria ser.
Através da observação silenciosa, saberemos que todos os seres nada mais fazem do que a serena aplicação da "lei maior". Só aquiescendo é que podem revelar toda verdade e toda a beleza da sua condição de seres únicos e insubstituíveis. Para comprovar isto, basta que observemos com isenção e cuidado os seres em geral e, predadores em particular. Seus olhos límpidos revelam força, determinação, poder e, principalmente, aquiescência aos desígnios do infinito. Jamais lhe ocorreria fazer algo que contrariasse a "lei maior", nem queixarem-se do que são, ou desejarem viver de outra forma ou em outras circunstâncias. Cumprem a sua "lei", que está em perfeita hamornia com os requisitos determinados pelo tempo, contexto e lugar.
Dessa forma, aprendemos a "rastrear a energia", vendo por onde ela flui e como se expressa, e ficará claro que a função segue ao "intento". Unir-se ao "intento" é unir-se ao fluxo maior, cujo campo de atuação é o infinito. Nós somos parte dele, e aquiescer aos desígnios do infinito leva-nos à manifestação de todo o nosso potencial, toda a plenitude no nosso ser, sem os ranços da individualidade. Isto proporciona uma "abertura do coração" e o desejo de atuar em benefício de todos os seres. Olhando no espelho da experiência, saberemos o que é melhor fazer. No entanto, o final de todos os caminhos será sempre o si-mesmo, a descoberta de quem realmente somos e como podemos expressar a nossa verdadeira natureza de forma expontânea e desobstruída, sábia e afetuosa.
:: 4:29 PM ::
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